 |
Ministro Alberto Costa lança hoje guia de prevenção
O Governo lança hoje um guia de combate à corrupção que pretende alertar funcionários públicos e cidadãos em geral para a gravidade do fenómeno, procurando dar-lhes as ferramentas necessárias para o evitar e, sobretudo, para o denunciar. Intitulado “Prevenir a corrupção”, este guia de 22 páginas, elaborado pelo Gabinete para as Relações Internacionais, Europeias e de Cooperação do Ministério da Justiça, vai ser distribuído pelos serviços públicos.
Este guia “pretende ser um instrumento de ampla divulgação, apostando numa estratégia centrada no esclarecimento de agentes de diferentes sectores de actividade que possam ver-se confrontados ou expostos a situações possíveis de corrupção”, afirma o ministro Alberto Costa no preâmbulo do documento.
O guia começa por explicar o que é a corrupção, onde começa e onde acaba, como se pode denunciar e a quem. Tudo isto acompanhado por diversos exemplos concretos.
Mais um papel ineficaz?
Lido o guia, fica no ar, no entanto, a dúvida quanto à eficácia da iniciativa. Além de as recomendações que são feitas aos serviços e funcionários públicos serem demasiado genéricas – “promover uma cultura de legalidade” ou “agir sempre com isenção e em conformidade com a lei” são apenas dois exemplos – as principais orientações já há muito que estão previstas na legislação e em documentos anteriormente divulgados e afixados nos serviços.
Pelo menos desde 1984 que o Estatuto Disciplinar dos Funcionários Públicos já obriga os trabalhadores do Estado ao chamado dever de isenção, o qual consiste “em não retirar vantagens directas ou indirectas, pecuniárias ou outras, das funções que exerce, actuando com independência em relação aos interesses e pressões particulares de qualquer índole”. O estatuto prevê até sanções àqueles que não participem “às autoridades infracções de que tiverem conhecimento” ou dispensem “tratamento de favor a determinada pessoa, empresa ou organização”. Já com o Governo de Cavaco Silva, a secretária de Estado da Administração Pública, Isabel Côrte-Real lançou um manual de boas práticas, e já com Guterres no poder, foi a vez do secretário de Estado, Fausto Correia ter mandado afixar a “Carta de Ética”, com os dez mandamentos que os trabalhadores deveriam seguir, e em que alguns princípios são os mesmos que constam no guia que hoje será lançado.
Sindicatos criticam
Sem pôr em causa a importância do combate à corrupção, Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum, apressa-se a identificar outros alegados propósitos da iniciativa: “É mais uma medida de ‘show off’ para fazer esquecer o que se passa na AP”, disse, em alusão às reformas em curso. Para Ana Avoila, nem o momento é oportuno, nem o meio é eficaz. “Não é com guias que se resolve este tipo de problemas”. E dispara: “Não tenho dúvidas de que a iniciativa se destina a manchar uma vez mais a imagem dos funcionários públicos.”
Bettencourt Picanço, presidente do STE, vais mais longe ao afirmar que “não são os funcionários públicos que a sociedade identifica como motores da corrupção em Portugal, mas o poder político”. “O Governo quer distrair os portugueses e os trabalhadores da AP daquilo que lhes está a fazer”, acrescenta, considerando mesmo que o guia terá “um efeito zero”.
Comentários
Ainda não há comentários.
Escreva um Comentário