Escolha de genéricos por doentes gera polémica
O presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF) quer que a decisão de optar por genéricos seja do
doente, mesmo nos casos em que o médico aconselhe fármacos de marca. Mas a Associação de Farmácias de Portugal já declarou que não vai seguir a conduta.
Sob o lema «Agora já pode escolher o medicamento mais barato», a Associação Nacional de Farmácia (ANF) vai lançar uma campanha na comunicação social divulgando uma medida que permite ao doente decidir se quer optar por um medicamento genérico, mesmo que a prescrição do médico indique um fármaco de marca.
Paralelamente, lê-se da circular da ANF às farmácias que o farmacêutico dispensará ao doente um medicamento dentro do mesmo princípio activo e nas doses indicadas na receita, sendo que, no talão de venda, será inscrito quanto pagaria a menos na opção pelo medicamento genérico. E é feito um pedido às farmácias para divulgarem esta campanha junto dos doentes.
Perante a iniciativa, o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, acusou a ANF de subordinar os interesses da saúde e do País a «interesses económicos mesquinhos», acrescentando que «a Autoridade da Concorrência, o Governo ou a União Europeia» devem «pôr cobro a isto, se assim o entenderem».
Também a Associação de Farmácias de Portugal (AFP) declara que não vai seguir a conduta da ANF de vender genéricos caso o doente assim o peça, mesmo que vá contra a prescrição do médico.
De acordo com um comunicado da AFP «a responsabilidade da prescrição é do médico e a este assiste o direito e, fundamentalmente, as razões, para a prescrição de um medicamento, genérico ou não. Não cabe a Farmacêutico intervir nesta decisão, forçosamente fundamentada».
«Não há razão para lançar uma campanha deste género sobre uma questão que está legislada e, mais uma vez, os farmacêuticos são colocados numa guerra da qual não fazem parte», pode ler-se no comunicado da AFP.
Contudo, o presidente da Associação Nacional de Farmácias afirma que todos os pareceres que tem em sua posse garantem que não há ilegalidade nesta medida e avança que mais de 200 mil doentes deixaram de comprar medicamentos nos últimos tempos, por não poderem pagá-los. Esta é uma das razões que justifica a decisão de dispensar medicamentos genéricos, mais baratos, mesmo quando o médico não os prescreve.
Sentido das Letras / Copyright 2008 – 4/1/2009 6:33 PM
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