Já nasceram em Badajoz 716 bebés portugueses
Desde o encerramento do bloco de partos de Elvas, as mães preferem dar à luz em Espanha do que em Évora ou Portalegre. Cada parto custa ao Estado 1800 euros. A factura do ministério da Saúde já ultrapassa 1,28 milhões de euros.
Já nasceram mais de 700 bebés portugueses em Badajoz desde o polémico encerramento do bloco de partos do da maternidade de Elvas, há mais de três anos, pelo ex-ministro da Saúde Correia de Campos. Margarida foi a primeira: veio ao mundo a 16 de Junho de 2006 no Hospital Materno-Infantil da cidade espanhola.
De então para cá – ao abrigo do acordo celebrado entre as autoridades de saúde do Alentejo e da Extremadura espanhola – têm nascido em Badajoz, em média, cerca de 230 bebés portugueses por ano, confirma fonte do Serviço Extremenho de Saúde (SES).
Por cada parto, Portugal paga a Espanha cerca de 1800 euros. Feitas as contas, a factura ascende a 1,28 milhões de euros. Isto sem contabilizar as verbas cobradas por internamentos, cesarianas ou outros cuidados hospitalares – um ecocardiograma, por exemplo, custa ao Estado português 115 euros.
“As mulheres estão satisfeitas. Ninguém as obriga a ir a Badajoz, podem sempre escolher Évora ou Portalegre, mas a grande maioria opta pelo outro lado da fronteira”, diz a presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, Rosa de Matos, que classifica como “muito positivo” o acordo entre as autoridades de saúde dos dois países.
“Tínhamos [em Elvas] um serviço de obstetrícia cujos recursos humanos eram extremamente escassos, com um número de nascimentos muito baixo, o que em termos técnicos e de segurança representava um risco tanto para as mulheres como para os bebés”, acrescenta a responsável.
Rosa de Matos diz não ter ficado surpreendida com o facto de mais de 90 por cento das parturientes de Campo Maior e Elvas optarem por Badajoz, assinalando que, “culturalmente”, essa era uma prática enraizada mesmo antes de haver acordo entre os dois países. “A grande maioria das famílias com algum poder financeiro e com seguros de saúde já tinha essa opção”.
O facto de Badajoz ficar consideravelmente mais próximo de Elvas do que Évora ou Portalegre é uma das razões que ajuda a explicar esta escolha. A que se acrescentam as condições do Hospital Materno-Infantil, uma unidade de saúde pública na qual todas as grávidas têm direito a um quarto individual com casa de banho privativa e uma pequena varanda, podendo ser acompanhadas em permanência por um familiar próximo, geralmente o pai do bebé.
As mulheres são aconselhadas a efectuar uma primeira consulta em Badajoz cerca das 20 semanas de gravidez, altura em que é efectuada uma ecografia morfológica. Se não for detectado qualquer problema, continuam a ser acompanhadas pelo médico de família e pelo obstetra português, regressando a Espanha às 38 semanas para iniciar a monitorização do feto.
Para além do acordo relativo às grávidas, a ARS do Alentejo e o SES têm activos mais dois protocolos de cooperação. Um deles no tratamento do cancro com radioterapia – que passou a poder ser efectuada em Badajoz aliviando os doentes de uma viagem de centenas de quilómetros. Outro dos acordo foi estabelecido para as emergências médicas em que os casos mais graves são levados para o outro lado da fronteira.
Segundo Rosa de Matos, está a ser ultimado um outro acordo transfronteiriço que permitirá aos doentes espanhóis realizar exames de tomografia axial computorizada (TAC) no Hospital de Santa Luzia, em Elvas
por LUÍS MANETA 08 Novembro 2009 ![]()
Se você gostou deste post, escreva um comentário e/ou cadastre-se em nosso feed.







Comentários
Ainda não há comentários.
Escreva um Comentário